Samba de Gonzaguinha atravessa como enredo no desfile do Império Serrano

O desfile do Império Serrano na noite de domingo, 3 de março, deu razão tanto a quem contesta como a quem aprova (com reservas) a escolha de samba de Gonzaguinha (1945 – 1991), O que é o que é (1982), como samba-enredo da agremiação de Madureira no Carnaval de 2019.


É fato que, ao escolher o samba para desenvolver o enredo “E a vida? E a vida o que é, diga lá, meu irmão?”, a tradicional escola do Carnaval carioca quebra uma tradição foliã de quase um século, atentando contra a história e o legado de uma ala de compositores que já teve nomes como Silas de Oliveira (1916 – 1972) e Ivone Lara (1922 – 2018).


É a primeira vez que uma escola desfila com um samba que não é samba-enredo. Houve aproveitamento recente de duas composições de Luiz Carlos da Vila (1949 – 2008), Por um dia de graça (1984) e Nas veias do Brasil (1987), mas tratava-se de dois legítimos sambas-enredos, ainda que eles tenham sido lançados em discos de cantoras (Simone e Beth Carvalho, respectivamente).