Phil Collins faz estreia solo em SP para 40 mil fãs, sentado e afinado, com bengala e com talento

Vestido com uma roupa preta aparentemente muito confortável, Phil Collins chega andando de bengala e passa todo o show sentado, com cara de cansado. Mesmo assim, nenhum dos cerca de 40 mil fãs que lotaram o Allianz Parque, em São Paulo, reclamou.

Aos 67 anos, o cantor inglês ainda é afinado e mostra seu talento para criar e cantar baladas pop roqueiras lançadas em 37 anos de carreira. Ele se apresentou por uma hora e 40 minutos em sua estreia solo na cidade, no sábado (24).

Mas por que ele fica sentado?

Desde 1999, seus problemas de coluna se agravaram e ele parou de tocar bateria, instrumento com o qual começou a vida artística, no Genesis.

O grupo é lembrado com “Throwing It all away”, “Follow you follow me” e “Invisible touch”. As imagens do Genesis no telão fazem a parte mais velha do público (já com média geral de uns 45 anos) ficar bem emotiva.

Ele já fez uma cirurgia para reparar uma vértebra deslocada em seu pescoço, tem dificuldades de andar e perdeu parte da sensibilidade nos dedos.

O bem humorado nome da turnê resume tudo: “Not dead yet” (“Ainda não morri”), mesmo título da biografia lançada em 2016.

Mais uma noite sem ‘One more night’

O show não tem surpresas, com “Against all odds (Take a look at me now)” e “Another day in paradise” na abertura.

“In the air tonight” fica no terço final, “Easy lover” no finzinho e “Take me home” encerra bem o show. Como no Rio, a aguardada “One more night” ficou de fora.

A banda tem baixista, dois guitarristas, tecladista, percussionista, quatro vocais de apoio e quatro músicos tocando instrumentos de sopro.

Nic Collins, de 16 anos, toca bateria. O filho do cantor fica escondidinho lá atrás, mas ganha uns minutos nos holofotes com solo e exposição constante nos telões.

Pretenders na abertura

O Pretenders, grupo conhecido por hits levemente dançantes dos anos 80 e 90, abriu a noite.

“Esta é para vocês, para nós, para Bob, para São Paulo”, disse a vocalista e guitarrista Chrissie Hynde antes de “Forever young”, cover de Bob Dylan.

Aos 66 anos, a cantora americana mostra muito mais vitalidade do que Collins. Ela fica solta pelo palco e deixa em todos da plateia aquela sensação de “quem dera ter metade deste fôlego e saúde nesta idade”.

Caberia com tranquilidade em um dia mais madurinho de Rock in Rio. Por lá, provalvemente a plateia receberia hits como “Don’t get me wrong” com mais cantoria e um pouco menos de smartphones para o alto.

Após shows no Rio e em São Paulo, Phil Collins voltou ao estádio do Palmeiras no domingo (25). Ele encerrou sua turnê no Brasil na terça-feira (27), em Porto Alegre.

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