Com o canto em feitio de oração, Elba põe fé em disco de sons sagrados e profanos

O álbum Eu sou o caminho, 37º título da discografia de Elba Ramalho, deve ser entendido como um movimento natural na vida desta valente cantora paraibana que tem propagado publicamente a fé cristã em redes sociais e em entrevistas ao longo dos últimos anos. No disco produzido e arranjado pelo músico maranhense Zé Américo Bastos, Elba dá testemunho dessa fé através de repertório que faz louvações a Deus e a Jesus com discursos, símbolos e signos da religião católica.

Eu sou o caminho (Acauã Produtora) é um disco que transita entre sons sagrados e timbres profanos, como a guitarra (tocada pelo virtuoso Leo Amuedo) que esboça um clima de pop rock na introdução da gravação de Vou com Jesus (Cris Reis), uma das 12 músicas do repertório. O som sintetizado das cordas programadas por Zé Américo Bastos nos registros de oito dessas 12 músicas dilui por vezes o fervor com que Elba – vista ao alto em foto de Marcelo Ribeiro – dá voz a um repertório criado majoritariamente por compositores de música popular.

Contudo, com o canto em feitio de oração, a intérprete dribla opções de produção e faz valer a fé que professa nas esferas pública e privada. Esse canto é elevado com os tons operísticos que pautam a abordagem da Ave Maria (Franz Schubert, 1825). Alocada em atmosfera musical sagrada no fecho do disco, com direito a um coro de tom sacro, a gravação de Ave Maria promove a ascensão de Eu sou o caminho a um altar mais elevado, valorizando esse álbum por ora disponível somente nas plataformas digitais, nas quais aportou na última quinta-feira, 22 de dezembro de 2017, a tempo de celebrar o espírito do Natal.

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