Após autorizar extradição, Justiça de Portugal diz que operador da Lava Jato está foragido

A Justiça portuguesa afirma que o luso-brasileiro Raul Schmidt, apontado como um dos operadores do esquema descoberto pela operação Lava Jato, está foragido.

“Tendo mandado averiguar, a polícia nunca o encontrou em casa”, diz em nota enviada à BBC Brasil o Tribunal da Relação de Lisboa.

Segundo a corte, Schmidt, que tem cidadania portuguesa, estava proibido de se ausentar do país sem autorização do Tribunal, e seu passaporte estava apreendido.

Também tinha que se apresentar semanalmente, aos domingos, na polícia, mas “desde a última decisão do Tribunal Constitucional, segundo informações policiais, vinha faltando às apresentações, enviando seu advogado para o processo de atestados médicos”, completa o comunicado.

Na semana passada, a Justiça portuguesa autorizou a extradição de Schmidt ao Brasil.

A decisão foi tomada em última instância, sem possibilidade de recurso, segundo informou à BBC Brasil o procurador da Lava Jato, Diogo Castor de Mattos, responsável pelo caso no Brasil.

De acordo com o MPF (Ministério Público Federal), Schmidt intermediou pagamentos de propina para ex-gerentes e ex-diretores da Petrobras por meio de contas no exterior. Também teria atuado ilegalmente em favor de empresas estrangeiras interessadas em contratos para a construção de plataformas de petróleo.

Ele havia sido preso em Portugal em março de 2016 na primeira fase internacional da operação Lava Jato. Na ocasião, as autoridades brasileiras entraram com um pedido de extradição, mas a Justiça portuguesa permitiu a Schmidt responder ao processo em liberdade.

De ‘naturalizado’ a ‘nato’
Segundo os termos de acordo de extradição, Schmidt só será julgado por atos praticados antes de dezembro de 2011, quando conseguiu a nacionalidade portuguesa.

No início deste ano, ele conseguiu converter seu status de “naturalizado” para “português originário”, com base na alteração da Lei da Nacionalidade, em julho de 2017, que permitiu a netos de portugueses nascidos no exterior obter tal direito.

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